segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


O Transtorno mental é com freqüência relacinado com o mendigo que perambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida "louco" que aparece nos filmes. Palavras como "maluco", "esquizofrênico", "psicopata" e "maníaco", são vulgarmente utilizadas na linguagem do dia-a-dia. As pessoas olham e dizem: "Isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família sólida", ou, então," O Transtorno mental não me afeta, isso é problema dos outros".

No preconceito relacionado com o Transtorno mental provém do medo do desconhecido, de um conjunto de falsas crenças que tem origem A falta de conhecimento e compreensão. Com este texto, procura-se que haja uma melhoria do conhecimento, desmistificando falsas crenças e estereótipos e fornecendo novos dados acerca do Transtorno mental e das pessoas que dele sofrem.Alguns conceitos errados sobre Transtorno Mental


As pessoas que sofrem de Transtornos mentais não irão nunca se curar?


Os Transtornos mentais são tratáveis e muitos portadores recuperaram a saúde. Eles devem ser encarados do mesmo modo como se olha para as doenças físicas. Tal como as doenças de coração, sabemos que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, espera-se uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez em tratamento dos Transtornos mentais, consigam dar os passos para reingressar a vida profissional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível.


As pessoas com Transtornos mentais são violentas e perigosas para a sociedade?


Essas pessoas apresentam tantos riscos de crime como quaisquer outros elementos da população em geral. Depois de estar sob tratamento e de volta à comunidade, estas pessoas têm maior tendência para se mostrarem ansiosos, tímidos e passivos, mais sujeitos a serem vítimas de crimes violentos, do que autores dos mesmos. Em uma pessoa que tenha tido acompanhamento psiquiátrico, mas sem passado criminal, tem menos probabilidades de vir a ser preso do que a média dos cidadãos.
As pessoas que recebem tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controle a qualquer momento?
A maioria das pessoas com Transtornos mentais têm maior tendência para se afastarem do contato social, do que de se confrontarem agressivamente com outros. No receio que a sociedade tem da sua violência é infundado, não sendo uma razão válida para lhes serem negadas oportunidades de emprego, casa ou amizades. Os especialistas afirmam que a maior parte das recaídas aparecem gradualmente e não de forma repentina. Se os médicos, amigos, família e os próprios portadores estiverem atentos aos sinais do Transtorno, as crises podem facilmente ser detectadas e tratadas convenientemente, antes de se tornarem mais graves.


As pessoas que foram tratadas de Transtornos mentais são empregados de baixa qualidade?


Muitas pessoas em tratamento de um Transtorno mental revelam-se excelentes empregados, havendo muitos empregadores que declaram sua pontualidade e maior assiduidade que outros colegas. Demonstram serem iguais no que se refere à motivação, qualidade de trabalho e duração de tempo No emprego. Entende-se que algumas destas pessoas estão sujeitas a recaídas, que podem causar períodos de ausência dos seus empregos. No entanto, através de programas que permitam horários flexíveis e períodos de trabalho que se acomodem a estas interrupções, estas pessoas podem se tornar empregados produtivos. É justo que lhes seja dada uma oportunidade.
As pessoas que estão sob tratamento de um Transtorno mental estão mais indicadas para exercerem trabalhos de nível inferior, mas nunca posições de responsabilidade?
Em todas as pessoas, a capacidade de progressão numa carreira depende dos talentos pessoais, da destreza, da experiência e motivação. O mesmo se passa com as pessoas com Transtornos mentais. Tem havido muitos exemplos de pessoas que, tendo se recuperado, foram colocados em lugares de muita responsabilidade. Podem mesmo ser personalidades destacadas (Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico e Abraham Lincoln, Presidente dos Estados Unidos eram Bipolares). É apenas necessário algum encorajamento para que aqueles que estão sob tratamento de Transtornos mentais, possam levar a cabo as suas tarefas com todas as suas potencialidades.


PRECONCEITO


Ninguém duvida que há um enorme preconceito ligado a quem tenha um Transtorno mental. Este preconceito isola o indivíduo em relação aos outros, como se fosse uma pessoa marcada. No preconceito abrange aqueles que tiveram ou têm um Transtorno mental. As relações sociais ficam muitas vezes prejudicadas, como se o portador fosse um ser à parte, objeto, por isso, de uma discriminação rejeitante. A discriminação contra as pessoas com Transtorno mental pode tomar diversas formas:

Uma jovem que não é admitida A universidade porque supostamente não conseguiu os mínimos requisitos para a sua admissão, sem que lhe tivesse sido dada qualquer explicação.

Um homem quis alugar um imóvel, tendo-lhe sido dito que não havia apartamentos vagos. Mais tarde vem, a saber, que dois apartamentos tinham sido alugados a outras pessoas duas semaAs depois de lhe terem sido negados.

Outra mulher trabalhou 6 meses como recepcionista. Quando explicou ao patrão que iria faltar algumas vezes ao trabalho por estar iniciando uma Nova medicação para a seu tratamento Psiquiátrico, foi despedida.


Com base nesta discriminação, aqueles que estão sob tratamento escondem-se freqüentemente atrás de um "disfarce", de modo a manter o seu passado secreto, quando se candidatam a novos empregos.


À pergunta se já tiveram um colapso nervoso, respondem que não. Se um patrão lhes pergunta a razão de uma falta mais prolongada ao trabalho, respondem que fizeram uma viagem.
Se têm problemas com uma Nova medicação, explicam ser um tratamento para a diabetes ou para a tiróide.


A necessidade de esconder resulta de um receio fundado de se ser rejeitado e desvalorizado, devido a um Transtorno, como se este fosse um mal. No preconceito pode tomar ainda uma forma menos evidente. A mais comum, e mais difícil de corrigir é a linguagem do dia-a-dia, quer oral, quer escrita. Embora a terminologia estigmatizante seja, em geral, muito óbvia, há também formas sutis.

Mesmo o uso generalizado do rótulo "doente mental" para classificar as pessoas com Transtornos mentais, pode tornar-se estigmatizante, para as pessoas como se fossem membros de um grupo indesejável, subentendendo-se que serão sempre "doentes mentais", recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros.


A Mídia (apesar de não o fazer) pode contribuir muito para erradicar o preconceito, promovendo a compreensão e educação do grande público acerca destas doenças, mas também podem ser prejudiciais ao divulgar conceitos errados e negativos, reforçando-o em grande escala (vide matéria "Pequeno Histórico da Bipolaridade").

Nos debates A TV e outros programas/matérias sensacionalistas mostram, com freqüência, uma versão unilateral e negativa dos possíveis efeitos secundários causados por algumas formas de tratamento dos Transtornos mentais, não apresentando ao público os tratamentos bem sucedidos, que ajudaram e ajudam milhões de pessoas a retomarem as suas vidas Normais.


Alguns comediantes da moda, fazem pouco das pessoas que sofrem de doença mental, usando as suas incapacidades como uma fonte de humor mórbido e insalubre. Alguns publicitários divulgam imagens preconceituosas de pessoas com Transtornos mentais, como truques promocionais de anúncios, que vão desde a comida, aos automóveis, aos jogos de família e aos brinquedos.

No mais importante a ser entendido pelos representantes da mídia e pelo público em geral é que os portadores de Transtornos mentais são pessoas como todas as outras.

Que os Transtornos mentais são tratáveis, como as outras doenças.

As pessoas deverão ser julgadas pelos seus próprios méritos, e não pelo Transtorno de que sofrem e pelo preconceito a ela ligado.

Aliás, quando o Transtorno é bem tratado medicamente, sobressai de novo a pessoa saudável numa grande percentagem de portadores.

Seria melhor que os meios humanos, institucionais e terapêuticos estivessem à altura das necessidades!


"Os preconceitos são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente negativa. São ainda importantes os obstáculos que as pessoas que sofrem ou sofreram de Transtornos mentais têm de desafiar e ultrapassar No seu caminho para uma recuperação. Torando-nos mais atentos às Transtornos mentais, podemos contribuir para criar as merecidas oportunidades a estas pessoas, permitindo-lhes levar uma vida normal e um regresso à comunidade como membros produtivos, autoconfiantes e capazes de desenvolverem todo o seu potencial."

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