domingo, 28 de fevereiro de 2010

Voltar...


É verdade... Parece incrível, mas já passou 1 ano desde a minha ultima mensagem neste meu pequeno cantinho. De facto, foram 12 meses longos, e muito duros...

Isolei-me na minha gruta, no meu escuro, para encontrar e reencontrar a minha paz.

Resultou.

Aqui estou eu de novo, com voçes que me acompanham, tal qual amigos e de certo modo confidentes.

Reerguida das cinzas, qual Fénix renascida...

É assim mesmo a vida, como uma cantora de minha eleição diz e muito bem numa das suas magnificas musicas, " há que ser trigo, depois ser restolho, há que penar para aprender a viver"...

E vivo. E aprendo. Todos os dias. A cada queda. E a cada reerguer. As feridas curam, a alma não... mas cresce, cimenta, ganha estrutura.

Por isso, não choro as minhas quedas, antes, orgulho-me de cada um do meu reerguer...

Porque é dele, a minha essencia.

Crescer, sempre.

Desistir, nunca!

Abraço amigo.

Susana

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O que é a felicidade afinal?


Constantemente recebemos emails que nos sugerem reenvios em que nos é pedido para fazermos um pedido e o primeiro que nos vem à idéia, geralmente, é: "quero ser feliz"...

Mas afinal o que é, realmente, a felicidade?

Que sentimento é esse que é tão diferente e varia tanto de pessoa para pessoa?

E muitas vezes pensamos na vida e perguntamos se fomos ou se somos felizes...
Na verdade, para mim, a felicidade não é mais que uma designação, um nome que damos a uma série de momentos, de recordações, de amizades, de pessoas que de um modo ou outro estão relacionadas connosco, que se envolvem na nossa vida e nos dão o que sabem dar de melhor, é o simples facto de estar vivo, de conseguir continuar vivo, de acordar todos os dias... Também a capacidade de sofrer, de chorar, de sentir dor e saudade, isso também é felicidade!! Como?? Simples, porque é sinal de que ainda conseguimos sentir, raciocinar, é sinal de não estarmos mortos em vida, como há muita gente que está e nem se apercebe disso...

É bom estarmos com uma doença, significa que poderíamos ter 10 doenças, mas temos saúde bastante para nos identidicarmos apenas uma doença... É bom termos inimigos, porque são eles que nos abrem os olhos para vermos bem melhor os amigos que temos do nosso lado... É bom termos desgostos de amor, porque surpreendemo-nos pela positiva ao apercebermo-nos da nossa força e capacidade de erguer e recomeçar a amar de novo... É bom cair, caír financeiramente, moralmente, fisicamente... porque quando se está no chão, só se pode vir para cima!!

Pensem nisto... a felicidade não é assim tão difícil de atingir, de reconhecer e de se sentir... basta estar vivo!! E ela está em tudo... o ser humano só tem de aprender a reconhecê-la onde ela realmente existe, e não fantasiar ou idealizar...

Felicidade não é abstrata, não é inatingível, não é rara nem frágil... é sólida e está presente no nosso dia-a-dia, tal como o nascer do sol e o aparecer da lua... é só senti-la...


Epara si o que é a felicidade afinal?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A idéia errada do que é estar desempregado...


Um dia destes, à saída do supermercado, passei por uma banca com alguns bonecos. Percebi logo do que se tratava. Estavam a vendê-los no sentido de angariarem fundos para ajudarem uma boa causa. A banca estava abandonada. Ninguém nas imediações. Como também não estou em posição de ajudar, limitei-me a varrer com o olhar aquela mesita colorida, com um exército de bonecos perfilados, (entre outros objectos), esperando pacientemente o momento da sua remoção. Quando menos esperava, a responsável pela bancada, apareceu nas minhas costas, perguntando-me se estaria interessada em ajudar aquela causa.

Recordei-me que é precisamente em Outubro que começam estas campanhas e que foi sempre nesta altura que eu fui metralhada com pedidos oriundos dos mais diversos quadrantes. Poder-se-ia dizer, sem exagero, que o país sai à rua neste mês para fazer o peditório. Enquanto trabalhei, e como todas as pessoas que sobrevivem com um magro salário mensal, sempre fui ajudando na medida das possibilidades. Agora, infelizmente, não posso.

Até o direito à ajuda ao próximo me foi cortado.

Ainda assim, consigo fazê-lo, algumas vezes. Nada de extraordinário. Ora, se havia meses mais problemáticos enquanto trabalhei, agora todos os meses são problemáticos. Este mês, por sinal, está a ser particularmente difícil, devido a problemas pessoais que estou a tentar resolver, e enquanto não se resolverem esses problemas, tenho de aguentar. A senhora virou-se para mim e perguntou-me se não queria contribuir. Eu expliquei-lhe a minha situação. Lá concordou comigo. Retomei a marcha rumo à porta automática.
Mas, a determinada altura, não se dando por vencida, insistiu que a contribuição se resumia a um só euro. Voltei-me para ela e expliquei-lhe que, no meu caso, um euro era muito dinheiro neste momento… e é verdade!

O que se passa é que as pessoas não fazem a mínima ideia do que é estar desempregado, sem ajudas de governamentais, e muitas nem querem saber sequer…

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência! Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

Poema de Fátima Irene Pinto

sábado, 3 de janeiro de 2009

Um ano de ausência...


Para ti, avó querida que vives dentro do meu coração, nele não partiste, continuas comigo, todos os dias, a cada hora do dia, pois estás em mim, na minha alma, na minha força, na minha luta, nas minhas vitórias e derrotas pessoais, no meu sorriso, nas minhas lágrimas, tu vives através de mim, porque uma mulher como tu nunca morre, apenas se ausenta durante o tempo que demorará a estarmos juntas de novo, a sorrirmos juntas, a vivermos juntas de novo. Faz agora um ano que partiste, mas apenas fisicamente, porque sei que estás aqui, do meu lado, a conduzir as minhas mãos ao escrever estas memórias, porque não sei porquê, continuo a sentir-te aqui comigo, e isso é muito bom. Por isso, olá avó Helena... Espera só mais um pouco, e um dia estaremos juntas de novo. Amo-te mais do que ontem e menos do que amanhã...Continuas a ser o meu porto de abrigo, como foste todos estes anos. Da tua neta Susana.



Sorri quando a dor te torturar

E a saudade atormentar

Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar

Quando nada mais restar

Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz

Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor

E ao notar que tu sorris

Todo mundo irá supor

Que és feliz

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Mais um Natal...


Mais um Natal que passou.
E depois, o vazio...
Mais uma noite de Natal, um dia de Natal,
E depois o vazio...
Mais umas reuniões com a familia, o rever,
O matar saudades, o reviver de emoções,
E depois o vazio...
Mais uma mesa cheia, uma mesa vazia,
E as prendas e a alegria, e os sorrisos,
E depois o vazio...
Mas porquê? Porquê? Porquê se há tanta gente
Por esse mundo fora com menos, com nada!!
Porquê? Porquê este vazio?
Porquê este sentimento de ... ausencia e vazio?
Com tanta criança a pedir e a precisar de tudo o que temos?
Mas que doença é esta que nos torna tão egoístas?
Simplesmente porque sim... Porquê?
Porque somos humanos. Porquê tão vulneráveis?
Porquê quase presunçosos? Porque me sinto assim, sempre...
Ano após ano, depois de mais um Natal?
Talvez porque seja apenas
Mais um Natal...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aprendi...



Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.

Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.

Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.

Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.

Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Aprendi... Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.

Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.

Eu aprendi... que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.

Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.

Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.

Essa Mulher... Minha Mãe


Mãe querida,

Só nós duas é que o vivemos, só nós duas testemunhámos,

Só nós duas sabemos, só nós duas compartilhámos,

Só nós duas definhámos, só nós duas lutámos,

Só nós duas sofremos mas nós duas superámos e nos levantámos

uma á outra, com a força do amor materno e supremo.

Porque nós duas somos uma apenas, unidas no peso do passado

E no valor do presente, na esperança no futuro!

Mas sabes o que é mais precioso e uma dádiva de Deus?

Tu tens-me a mim, eu tenho-te a ti, e nada nos vai separar!

Nunca! Porque haja o que houver, depois do que já passámos as duas,

Somos fortes,somos guerreiras e companheiras, para o resto da vida...

Eu sou o que sou, se alguma coisa sou, graças ao amor que sempre me deste.

Amo-te incondicionalmente,

Minha MÃE!


Em homenagem a ti, mãe:


Essa Mulher... Minha Mãe


©All rights reserveds to Luizinho Bastos® Direitos reservados a Luizinho Bastos

Essa mulher simples por mim querida;
humanamente santa e generosa.
Essa senhora tão maravilhosa,
horizonte e fonte da minha vida.
Bela como a aurora, serena como a brisa,
sempre pronta para servir e acolher,
amar e perdoar, consolar lágrimas
e compartilhar alegrias.
Sempre ocupada com seus afazeres,
dando broncas com seus sábios dizeres.
Essa mulher de fé inabalável,
mensageira do amor, rainha do lar.
Criatura de infinito coração
capaz de repartir migalhas de pão,
capaz de fazer milagres com suas virtudes
e de realizar proezas com seu amor incondicional.
Essa mulher brilhante,
estrela-guia do meu coração errante.
Essa mulher amiga, conselheira,
iluminada por Deus, companheira,
que do fundo do meu coração
carinhosamente chamo: minha mãe!
Essa mulher simples por mim querida;
humanamente santa e generosa.
Essa senhora tão maravilhosa,
horizonte e fonte da minha vida.
Bela como a aurora, serena como a brisa,
sempre pronta para servir e acolher,
amar e perdoar, consolar lágrimas
e compartilhar alegrias.
Sempre ocupada com seus afazeres,
dando broncas com seus sábios dizeres.
Essa mulher de fé inabalável,
mensageira do amor, rainha do lar.
Criatura de infinito coração
capaz de repartir migalhas de pão,
capaz de fazer milagres com suas virtudes
e de realizar proezas com seu amor incondicional.
Essa mulher brilhante,
estrela-guia do meu coração errante.
Essa mulher amiga, conselheira,
iluminada por Deus, companheira,
que do fundo do meu coração
carinhosamente chamo:

minha mãe!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sexta-feira muito má...


Hoje senti-me mal. Vazia. Nua. Simplesmente porque sim.
Hoje senti-me o último dos seres. Simplesmente porque sim.
Hoje apeteceu-me não tomar a medicação. Simplesmente porque sim.
Hoje senti saudades de quem não está por perto... por mim! Simplesmente porque sim.
Hoje senti-me feia e antipática. Simplesmente porque sim.
Hoje mantive-me totalmente calada. Só. Distante. Simplesmente porque sim.
Hoje remeti tudo para amanhã..... simplesmente porque sim.
Porque sou humana. Porque tenho baixos muito baixos. Porque não consigo controlar.
E quando não se consegue controlar, ignora-se. Adia-se. Para amanhã. Ou para a semana.
Porque é necessário por vezes reaprender a viver. Dar tempo a nós mesmos.
Amanhã pode ser um dia de sol, de luz, de alegria... Mas hoje não!
Simplesmente porque sim.

Susana

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O meu dia-a-dia


Olá aí desse lado... hoje sinto-me melancólica. Por muita força que se tenha em acordar de manhã com um largo sorriso, e abraçar o dia com toda a garra que a rotina exige, existe sempre aquele dia em que paramos para pensar... e que normalmente dá um resultado negativista. Hoje acordei, espreguiçei os ossos e fui logo abraçar as minhas gatinhas... é a 1ª coisa que faço no meu novo dia, ir abrir as portas ás gatinhas e mimá-las um bocadinho. O meu amor já tinha saído antes de eu acordar. Pensei logo, "hum, isto hoje não está bom...!" mas enchi o peito de ar e decidi ir tomar um duche quentinho e relaxante... assim foi, e pensei a tentar convencer-me a mim mesma "Hoje vai ser um bom dia!!"...

Era bom que acabasse aqui o meu relato, não era?... Mas não. Saí do banho e vi os sinais de sempre, de todos os dias, a relembrarem-me da minha doença, como que a relembrarem-me "estás aí a rir para quê?"...

Olhei-me ao espelho e lá tive de novo de enfrentar o meu corpo com todo o peso a mais que o lítio me impõe... mas o pior vem sempre depois... o cabelo! Os tufos e tufos de cabelo que me caem ao pentear o cabelo... que eu insisto em manter o mais comprido que posso, pois recuso-me a perder a minha vaidade de mulher que sou!

Vou lavar os dentes e reparo nos tremores das mão... é sempre assim de manhã,mas passa com o decorrer do dia...

Visto-me, bebo o meu leite de soja (para tentar não engordar mais ainda), tomo os medicamentos conforme o indicado, agarro nas chaves e saio para a garagem, para o meu refúgio favorito: o meu carrinho e os meus CD's preferidos... escolho um ao acaso, sempre bem sonoro e bem alto para me dar energia matinal,os Metallica! Ponho a tocar e penso: "Hoje vai ser um bom dia!!"...

Começo a cantar e a conduzir... entre casa e o trabalho são 10 minutos, 10 minutos que chegam para me relembrar! Não tenho reflexos a conduzir, tenho dificuldades que nunca tinha tido (sou condutora há 13 anos sem nenhum acidente registado). Deixo o carro ir abaixo pelo menos umas 12 vezes... Nestes momentos não me reconheço. Entristeço. Esmoreço. E pergunto-me : "Meu Deus, quem sou eu? No que me tornei."

Sinto-me limitada. Mas heis que chego ao meu emprego. Aqui sim, começa o lado bom do dia, entro num local onde me sinto capaz, útil, confiante, realizada...! E toda a frustração desparece, e o sol brilha, e os passarinhos aparecem na minha janela, por cima do meu computador...

E eu rio, os meus olhos riem, a minha alma ri... afinal este vai ser um bom dia!

E aproveito-o todo, inteiro, porque amanhã de manhã começa tudo outra vez...

Mas já dizia o velho sábio: Vive um dia de cada vez!

Aqui está um bom conselho. Tenham um dia bom.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Simplesmente ... eu.



07 Dezembro 2008 - 00h30


Perturbação mental: BipoIaridade afecta dois por cento dos portugueses

200 mil bipolares


Em Portugal, cerca de 200 mil pessoas, de ambos os sexos, sofrem de doença bipolar.


Tradicionalmente conhecida por doença maníaco-depressiva, trata-se de uma doença mental de "perturbação do foro neurológico em que há uma alegria excessiva ou uma depressão profunda", explica José Jara, psiquiatra e director do Serviço de Psiquiatria do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa.

O próprio termo bipolar expressa os dois diferentes tipos de humor, isto é, o da ‘mania’, caracterizado por uma profunda excitação, e o da depressão, onde o doente se sente muito abatido. Esta última fase referida é identificada como sendo "a mais perigosa, uma vez que é aquela em que se verifica uma maior taxa de suicídio". No entanto, para além destas duas fases há outras pelas quais o doente pode passar. As causas do aparecimento da doença não são específicas, uma vez que variam consoante o tipo de personalidade e a própria pessoa.
No entanto, os problemas do dia-a-dia podem – e muito – contribuir para o aparecimento de casos de bipolaridade.


A idade não é um factor preponderante para uma melhor compreensão da doença, uma vez que "não há uma faixa etária específica para o aparecimento da mesma", refere o especialista, salientando que "existe uma maior ocorrência de casos na fase da adolescência".

A doença bipolar – que segundo o psiquiatra José Jara é "uma doença que interfere muito com a dinâmica familiar do paciente, com a sua vida profissional e com as relações interpessoais" – não tem cura. Porém, o tratamento tem uma importância muito significativa na estagnação da bipolaridade pois "evita o aparecimento de crises, estabilizando-as".

O director do Serviço de Psiquiatria do Hospital Júlio de Mato frisa ainda que na maioria dos casos se verifica "um abandono do uso da medicação, pois os pacientes pensam que já estão curados mas, obviamente, as crises voltam sempre a aparecer".

DOENTES ALVO DE ESTIGMAS E DE PRECONCEITOS SOCIAIS

O doente bipolar tem de lutar diariamente contra os estigmas e preconceitos sociais, muitas vezes consequência da agressividade que se manifesta durante a depressão. Quando entra nessa fase mais crítica, ou seja, na fase depressiva, o doente tem tendência a se isolar dos amigos, colegas e até mesmo dos familiares. Esse afastamento deve-se, na maioria das vezes, ao facto de o doente sentir fobia em relação ao mundo exterior. Ao se isolar, pensa que irá resolver os grandes conflitos interiores com que se depara. Porém, para além de não conseguir resolver estes conflitos, o doente vai perdendo amigos, acabando por ficar cada vez mais só. Este facto deve-se, segundo o psiquiatra José Jara, ao facto "de as pessoas se assustarem com as crises depressivas dos bipolares, que chegam a ter comportamentos agressivos para com as mesmas."

MEDICAMENTOS NO MERCADO

Os medicamentos estabilizadores de humor são essenciais na terapêutica preventiva das fases depressivas e eufóricas, permitindo a muitos doentes o controlo da perturbação bipolar através de uma prevenção das crises. O lítio, comercializado no País através do medicamento Priadel, o valproato, presente nos medicamentos Diplexil R e Depakine, e a carbamazepina, através do Tegretol, são ajudas no tratamento do doente.

REFORMA NA SAÚDE MENTAL

Foi aprovado em Outubro do ano passado, em Conselho de Ministros, o Plano Nacional da Saúde Mental, a vigorar até 2016, cuja prioridade consiste na descentralização dos serviços prestados aos doentes, para uma maior integração nas famílias. Também se prevê a criação ou recuperação de unidades de psiquiatria que não têm estado a funcionar devido a deficiência de recursos humanos ou, até mesmo, por falta de condições.

"MOTIVADOS PARA A CURA" (Delfim Oliveira, Associação Doentes Depressivos e Bipolares)

Correio da Manhã – Em que consiste a Associação de apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares?
Delfim Oliveira – A ADEB – que já existe desde 1991 – constitui-se como uma ferramenta elementar na recuperação de um doente bipolar ou depressivo, pois tentamos sempre entender o doente, quer seja bipolar ou depressivo, e ajudá-lo na recuperação de crises.
– Como é que o doente bipolar procura a Associação?
– Esse contacto existe através do aconselhamento que o psiquiatra dá ao doente, pois há uma grande cooperação entre os profissionais de Saúde e a ADEB.
– Essa procura é um incentivo na recuperação do doente?
– Sem dúvida que sim, porque os associados sentem-se muito mais acompanhados e motivados para se tratar, o que constitui um factor bastante significativo na recuperação do doente.
"BEBI A MINHA PRÓPRIA URINA" (O meu caso: António Santana)
António Santana sempre quis ser engenheiro, mas o aparecimento da doença bipolar, aos 16 anos, estragou-lhe o sonho de infância. Consequência da falta de informação da época em relação à doença, Santana, como é conhecido no Hospital Júlio de Matos, foi internado diversas vezes em várias unidades de Saúde. Desde o Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, até à Casa de Saúde do Telhal, em Sintra, muitas foram as torturas a que teve de se submeter. "Cheguei a levar electrochoques, jactos de água e a beber a minha própria urina", revelou ao Correio da Manhã, em tom envergonhado, dizendo que é uma fase da vida que quer "esquecer".
António Santana afirma já ter sofrido e ainda sofrer do estigma social existente em relação à doença, mas afirma "não ligar". Há cerca de dois anos que Santana não tem uma crise bipolar. Actualmente vive com uma companheira "que é para toda a vida" e dedica-se à escrita de poemas e ao teatro. n

PERFIL

António Santana tem 48 anos e já é uma cara conhecida do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, local onde trabalha e onde teve a primeira consulta de Psiquiatria. Sofre de doença bipolar desde os 16 anos.

BI DA DOENÇA BIPOLAR

O QUE É
A Doença Bipolar, tradicionalmente designada por Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e ‘mania’.

SINTOMAS
Os sintomas diferem-se nas fases de depressão e ‘mania’. Na primeira, o principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero. Na fase de ‘mania’, existe um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável.

CAUSA
Os factores genéticos e biológicos (na química do cérebro) têm um papel essencial entre as causas da doença. O tipo de personalidade e o stress têm um papel importante no desencadeamento das crises.

IDADE
Pode começar em qualquer altura, durante ou depois da adolescência.

NÚMERO DE DOENTES
Cerca de 100 mil pessoas, de ambos os sexos, sofrem da doença em Portugal.

TRATAMENTO
Não há nenhum tratamento que cure a doença por completo. No entanto, há possibilidades de controlar a doença, através de medicamentos estabilizadores de humor. As crises depressivas tratam-se com medicamentos antidepressivos e as crises de mania tratam-se com antipsicóticos.

PREVISÃO DAS CRISES
A previsão das crises é variável e depende de pessoa para pessoa. Algumas têm uma ou duas crises durante toda a vida, enquanto que outras chegam a ter crises quatro vezes no mesmo ano.

NÚMEROS

100
mil pessoas em Portugal sofrem de esquizofrenia, segundo dados de estudos recentes
1,3
milhões de pessoas são atendidas no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
2.000
milhões de pessoas no Mundo padecem de alguma doença ou perturbação mental
40
mil mortes mundiais são atribuídas às patologias psiquiátricas, como a doença bipolar
154
milhões de indivíduos, espalhados por todo o Mundo, sofrem de sintomas depressivos

DOENÇA MANÍACO-DEPRESSIVA

As zonas do cérebro mais afectadas pela doença bipolar são o córtex pré-frontal e o hipocampo.
Estriato: Ajuda o cérebro a processar recompensas
Córtex pré-frontal: Regula as emoções, a capacidade de planeamento e a motivação
Amígdala: Ajuda a reconhecer expressões faciais. As transmissões entre os neurónios aumentam em resposta aos estímulos emocionais.
Hipocampo: É um dos centros da memória. Parte dele ajuda no reconhecimento de perigos ou recompensas.
Tronco Cerebral: Onde o neurotransmissor serotonina (hormona envolvida na comunicação entre os neurónios, fundamental para a percepção do meio que rodeia o ser humano) é produzido para ser espalhado pelas diferentes partes do cérebro. Os bipolares têm menos serotonina, o que pode contribuir para uma atrofia dos neurónios e levar à depressão.

OS TRÊS ESTÁGIOS DA DOENÇA

BIPOLAR I
O doente sofre de graves fases depressivas, seguindo-se crises de ‘mania’ profundas. Pode ter também crises mistas, isto é, sintomas de depressão e de ‘mania’ ao mesmo tempo.

BIPOLAR II
O paciente tem crises depressivas graves e fases leves de elevação do humor (hipomania). As crises de elevação do humor podem não ser identificadas ou referidas porque o doente sente-se "acima do normal" com muita energia e alegria, sem perturbações óbvias.

CICLOS RÁPIDOS
O paciente tem pelo menos quatro crises por ano, em qualquer combinação de fases de mania, hipomania, mistas e depressivas. Na maioria das vezes, não chega a ter percepção de que passa pelas mesmas.

FASES DA DOENÇA

DEPRESSÃO
Tristeza é o principal sentimento vivido nesta fase. Verifica-se uma diminuição do desejo sexual e um abuso muito excessivo de álcool e das drogas, registando--se uma grande taxa de tentativas de suicídio.

FASE MANÍACA
Nesta fase o doente sente-se muito criativo, alegre, sociável e autoconfiante. Existe um aumento do apetite sexual e um abuso de álcool e substâncias. O doente chega a perder a noção da realidade.

HIPOMANIA
É caracterizada por fases leves de elevação de humor do doente, isto é, sintomas maníacos menos acentuados. As pessoas com hipomania não se julgam doentes e sentem--se bem.

MISTAS
Conjugação das fases de depressão e de ‘mania’, ou seja, o doente pode sentir-se triste e eufórico simultaneamente, sem nenhuma razão. Estas crises podem acontecer no mesmo dia.

NOTAS

HÁBITOS NORMAIS
Os bipolares conseguem ter uma vida igual à de uma pessoa que não sofra de qualquer doença mental.

DOENTES TORTURADOS
Há vinte anos a bipolaridade tinha uma má conotação e os doentes sofriam vários tipos de tortura.

DOENÇA ATINGE FAMOSOS
Jim Carrey, um conhecido actor de Hollywood, sofre de doença bipolar. Leva uma vida normal mas com precauções.
Joana Freire


in "Correio da Manhã"

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


O Transtorno mental é com freqüência relacinado com o mendigo que perambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida "louco" que aparece nos filmes. Palavras como "maluco", "esquizofrênico", "psicopata" e "maníaco", são vulgarmente utilizadas na linguagem do dia-a-dia. As pessoas olham e dizem: "Isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família sólida", ou, então," O Transtorno mental não me afeta, isso é problema dos outros".

No preconceito relacionado com o Transtorno mental provém do medo do desconhecido, de um conjunto de falsas crenças que tem origem A falta de conhecimento e compreensão. Com este texto, procura-se que haja uma melhoria do conhecimento, desmistificando falsas crenças e estereótipos e fornecendo novos dados acerca do Transtorno mental e das pessoas que dele sofrem.Alguns conceitos errados sobre Transtorno Mental


As pessoas que sofrem de Transtornos mentais não irão nunca se curar?


Os Transtornos mentais são tratáveis e muitos portadores recuperaram a saúde. Eles devem ser encarados do mesmo modo como se olha para as doenças físicas. Tal como as doenças de coração, sabemos que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, espera-se uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez em tratamento dos Transtornos mentais, consigam dar os passos para reingressar a vida profissional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível.


As pessoas com Transtornos mentais são violentas e perigosas para a sociedade?


Essas pessoas apresentam tantos riscos de crime como quaisquer outros elementos da população em geral. Depois de estar sob tratamento e de volta à comunidade, estas pessoas têm maior tendência para se mostrarem ansiosos, tímidos e passivos, mais sujeitos a serem vítimas de crimes violentos, do que autores dos mesmos. Em uma pessoa que tenha tido acompanhamento psiquiátrico, mas sem passado criminal, tem menos probabilidades de vir a ser preso do que a média dos cidadãos.
As pessoas que recebem tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controle a qualquer momento?
A maioria das pessoas com Transtornos mentais têm maior tendência para se afastarem do contato social, do que de se confrontarem agressivamente com outros. No receio que a sociedade tem da sua violência é infundado, não sendo uma razão válida para lhes serem negadas oportunidades de emprego, casa ou amizades. Os especialistas afirmam que a maior parte das recaídas aparecem gradualmente e não de forma repentina. Se os médicos, amigos, família e os próprios portadores estiverem atentos aos sinais do Transtorno, as crises podem facilmente ser detectadas e tratadas convenientemente, antes de se tornarem mais graves.


As pessoas que foram tratadas de Transtornos mentais são empregados de baixa qualidade?


Muitas pessoas em tratamento de um Transtorno mental revelam-se excelentes empregados, havendo muitos empregadores que declaram sua pontualidade e maior assiduidade que outros colegas. Demonstram serem iguais no que se refere à motivação, qualidade de trabalho e duração de tempo No emprego. Entende-se que algumas destas pessoas estão sujeitas a recaídas, que podem causar períodos de ausência dos seus empregos. No entanto, através de programas que permitam horários flexíveis e períodos de trabalho que se acomodem a estas interrupções, estas pessoas podem se tornar empregados produtivos. É justo que lhes seja dada uma oportunidade.
As pessoas que estão sob tratamento de um Transtorno mental estão mais indicadas para exercerem trabalhos de nível inferior, mas nunca posições de responsabilidade?
Em todas as pessoas, a capacidade de progressão numa carreira depende dos talentos pessoais, da destreza, da experiência e motivação. O mesmo se passa com as pessoas com Transtornos mentais. Tem havido muitos exemplos de pessoas que, tendo se recuperado, foram colocados em lugares de muita responsabilidade. Podem mesmo ser personalidades destacadas (Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico e Abraham Lincoln, Presidente dos Estados Unidos eram Bipolares). É apenas necessário algum encorajamento para que aqueles que estão sob tratamento de Transtornos mentais, possam levar a cabo as suas tarefas com todas as suas potencialidades.


PRECONCEITO


Ninguém duvida que há um enorme preconceito ligado a quem tenha um Transtorno mental. Este preconceito isola o indivíduo em relação aos outros, como se fosse uma pessoa marcada. No preconceito abrange aqueles que tiveram ou têm um Transtorno mental. As relações sociais ficam muitas vezes prejudicadas, como se o portador fosse um ser à parte, objeto, por isso, de uma discriminação rejeitante. A discriminação contra as pessoas com Transtorno mental pode tomar diversas formas:

Uma jovem que não é admitida A universidade porque supostamente não conseguiu os mínimos requisitos para a sua admissão, sem que lhe tivesse sido dada qualquer explicação.

Um homem quis alugar um imóvel, tendo-lhe sido dito que não havia apartamentos vagos. Mais tarde vem, a saber, que dois apartamentos tinham sido alugados a outras pessoas duas semaAs depois de lhe terem sido negados.

Outra mulher trabalhou 6 meses como recepcionista. Quando explicou ao patrão que iria faltar algumas vezes ao trabalho por estar iniciando uma Nova medicação para a seu tratamento Psiquiátrico, foi despedida.


Com base nesta discriminação, aqueles que estão sob tratamento escondem-se freqüentemente atrás de um "disfarce", de modo a manter o seu passado secreto, quando se candidatam a novos empregos.


À pergunta se já tiveram um colapso nervoso, respondem que não. Se um patrão lhes pergunta a razão de uma falta mais prolongada ao trabalho, respondem que fizeram uma viagem.
Se têm problemas com uma Nova medicação, explicam ser um tratamento para a diabetes ou para a tiróide.


A necessidade de esconder resulta de um receio fundado de se ser rejeitado e desvalorizado, devido a um Transtorno, como se este fosse um mal. No preconceito pode tomar ainda uma forma menos evidente. A mais comum, e mais difícil de corrigir é a linguagem do dia-a-dia, quer oral, quer escrita. Embora a terminologia estigmatizante seja, em geral, muito óbvia, há também formas sutis.

Mesmo o uso generalizado do rótulo "doente mental" para classificar as pessoas com Transtornos mentais, pode tornar-se estigmatizante, para as pessoas como se fossem membros de um grupo indesejável, subentendendo-se que serão sempre "doentes mentais", recusando-lhes o direito de serem considerados cidadãos como os outros.


A Mídia (apesar de não o fazer) pode contribuir muito para erradicar o preconceito, promovendo a compreensão e educação do grande público acerca destas doenças, mas também podem ser prejudiciais ao divulgar conceitos errados e negativos, reforçando-o em grande escala (vide matéria "Pequeno Histórico da Bipolaridade").

Nos debates A TV e outros programas/matérias sensacionalistas mostram, com freqüência, uma versão unilateral e negativa dos possíveis efeitos secundários causados por algumas formas de tratamento dos Transtornos mentais, não apresentando ao público os tratamentos bem sucedidos, que ajudaram e ajudam milhões de pessoas a retomarem as suas vidas Normais.


Alguns comediantes da moda, fazem pouco das pessoas que sofrem de doença mental, usando as suas incapacidades como uma fonte de humor mórbido e insalubre. Alguns publicitários divulgam imagens preconceituosas de pessoas com Transtornos mentais, como truques promocionais de anúncios, que vão desde a comida, aos automóveis, aos jogos de família e aos brinquedos.

No mais importante a ser entendido pelos representantes da mídia e pelo público em geral é que os portadores de Transtornos mentais são pessoas como todas as outras.

Que os Transtornos mentais são tratáveis, como as outras doenças.

As pessoas deverão ser julgadas pelos seus próprios méritos, e não pelo Transtorno de que sofrem e pelo preconceito a ela ligado.

Aliás, quando o Transtorno é bem tratado medicamente, sobressai de novo a pessoa saudável numa grande percentagem de portadores.

Seria melhor que os meios humanos, institucionais e terapêuticos estivessem à altura das necessidades!


"Os preconceitos são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente negativa. São ainda importantes os obstáculos que as pessoas que sofrem ou sofreram de Transtornos mentais têm de desafiar e ultrapassar No seu caminho para uma recuperação. Torando-nos mais atentos às Transtornos mentais, podemos contribuir para criar as merecidas oportunidades a estas pessoas, permitindo-lhes levar uma vida normal e um regresso à comunidade como membros produtivos, autoconfiantes e capazes de desenvolverem todo o seu potencial."

Vejo a chuva cair

e uma corrente de agua surgir

e o vento frio sentir esse céu cinzento,

uma hora há de sumire há de vir.

as estrelas, o solo brilho... vamos fugir

vamos ir.para casa vamos ir

Sob o verde, mais verde, no ar

para as praias vamos caminhar

no sobe e desce eu vou estar

e o marulho e o ventar e o sol raiando,

volta a raiar sob o crepusculoao som do mar.

voce se põe a cantar

E as estrelas por sua vez, começam, a aparecer

e voce vai ver voce tem que ter

uma noção do que se é viver

Ame, crie, viva e se deixe viver

seja quem voce é

e não quem tem que ser..


A dor maior


Saudade

Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos

é nunca ter sofrido.


Life is... Life!

Falas de civilização...Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vidaA querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro